Associação da USP divulga carta de repúdio por assassinato de obstetriz em Conchal

Nelly Cristina Venite de Souza Maria, de 27 anos, foi morta com 16 facadas no sábado (19).
AO-USP divulga carta de pesar e repúdio sobre morte de obstetriz (Foto: Reprodução/Facebook)

A Associação de Alunos e Egressos do Curso de Obstetrícia da Universidade de São Paulo (AO-USP) publicou na rede social uma carta de pesar e repúdio pela morte de Nelly Cristina Venite de Souza Maria, de 27 anos. A obstetriz foi assassinada com 16 facadas em Conchal na madrugada de sábado (19).

A Polícia Civil informou que prendeu um suspeito, mas não deu detalhes, o caso foi registrado como homicídio, roubo de veículo e tráfico de drogas.

Luto

O texto publicado na página da AO-USP diz que as mulheres, parteiras, obstetrizes e ativistas pelos direitos humanos estão em luto.

“Conhecíamos sua história, sua luta pela humanização da assistência ao parto no Brasil, pelo fim da violência obstétrica e sonhávamos juntas com o ideal de uma sociedade justa e igualitária. Um homem tirou sua vida, amiga, porque você era mulher. Tirou a vida de quem muito recebeu vida nesse mundo. Foi violento com quem tanto dava carinho, amparo, entrega sincera”.

“A dor que sentimos hoje pelo crime de feminicídio que interrompeu sua vida também é a dor pela perda de uma companheira, ativista que fortaleceu o ideal de uma profissão que luta pelo fim da desigualdade de gênero e da violência contra as mulheres”, diz outro trecho da carta que é assinada pela AO-USP, Ca De Obstetrícia, Docentes e Discentes do curso de Obstetrícia EACH-USP, Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e Casa Angela - Centro de Parto Humanizado.

Pessoa que fazia o bem

Sulene Santos, diretora do Hospital e Maternidade Madre Vaninni (Foto: Gean Mendes/F5 Conchal)

Nelly era simples, acolhedora e comprometida com o trabalho, contou a diretora do Hospital e Maternidade Madre Vaninni. “É uma dor profunda porque é uma pessoa que fazia o bem”, disse Suelene Santos.

Formada em obstetrícia pela USP, ela trabalhava como obstetriz há três meses no hospital de Conchal. Segundo a diretora da unidade, ela atuava diretamente com as parturientes (que está em trabalho de parto) até o nascimento, e fazia também o acolhimento das gestantes acompanhando o pré-natal.

“Uma pessoa que passava dias e dias ao lado do leito de um doente, acompanhando. Tinha uma enorme empatia para com o sofrimento do outro”, disse a diretora do hospital.

O crime

Kitnet onde a vítima morava em Conchal (Foto: Gean Mendes/F5 Conchal)

O corpo de Nelly foi encontrado pela Guarda Civil Municipal (GCM) durante a madrugada de sábado com ferimentos na cabeça, braços e tórax, além de sinais de estrangulamento.

Segundo a GCM, o suspeito de cometer o crime fugiu. Um vizinho relatou aos guardas municipais ter visto o suposto companheiro da vítima deixar o local.

De acordo com a GCM, o vizinho contou ter ouvido a vítima pedir socorro por volta das 3h e acionou as autoridades. Quando os gritos cessaram, ele viu o rapaz sair da kitnet onde a moça morava e fugir no carro dela. O veículo modelo Gol era dirigido por outra pessoa.

A GCM informou que o rapaz que saiu da kitnet mora em frente à vítima. Os agentes entraram na casa dele e encontraram 64 pinos de cocaína. Uma faca com marcas de sangue também foi apreendida.

O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Limeira. O enterro está marcado para segunda-feira (21) em Jardinópolis (SP). As informações são do G1.