Crônica: Tributo ao Velho Coreto

 

Por Chiquinho Corrêa*

Passei pela árida Praça da Matriz e tomei um susto, quando me deparei com o Velho Coreto, testemunha ocular de minhas brincadeiras infantis, quando íamos passear na praça. Em minha memória, tenho-o como uma obra grandiosa, perenizada, quase poética. O tempo nos reserva conclusões não decifradas pelo capitulo presente de nossa vida. O Coreto me parece de uma pequenez absurda, não registrada em minha memória. Parece-me pequeno demais; não mais preenche as minhas expectativas vivenciadas no passado. Fico chocado, por vê-lo tão pequenino assim! Não pode ser!  Na minha infância era de uma grandeza espantosa, pois tinha espaço para uma banda musical que ainda consigo ouvir. Não é possível que seja tão pequenino assim!  Não é possível que tenha me enganado! Contrariando as minhas expectativas, o velho Coreto atualizado pela minha matriz ocular se mostra pequeno e indefeso. Meu Deus, o que farei para torná-lo grande de novo, pois ele me parece prostrado, inerte, sem nenhuma referência. Será que o processo que minimizou o tamanho do velho Coreto é o mesmo que me distancia da sua grandeza?  Ou a sua grandeza era compatível com as expectativas de uma criança, que não fica enamorado com o palhaço, e sim com as suas peraltices. Creio que o mundo tenha crescido demais, e o velho Coreto preferiu não compartilhar desse crescimento. Pena que não consegui partilhar dessa decisão tomada pelo Velho Coreto!   As crianças de hoje, criadas no universo digital, não conseguem enxergar a sua grandeza! Dá-me pena vê-lo tão só!

* o autor é mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAr), especialista em Manejo de Solo pela Universidade de São Paulo (USP) e produtor Agropecuário.  

Foto: Giumara de Lima (Concurso Conchal em Foto 2013)