'Crueldade', diz pai durante velório de obstetriz morta a facadas em Conchal

Emocionados, familiares e amigos acompanharam enterro de Nelly Venite em Jardinópolis (SP). Suspeito do crime foi preso na casa dos pais em Malacacheta (MG).
Mãe da obstetriz Nelly Venite é amparada por familiares e amigos em Jardinópolis, SP (Foto: Patrícia Rennó/G1)

Comoção e tristeza marcaram o velório e o enterro da obstetriz Nelly Cristina Venite de Souza Maria, de 27 anos, em Jardinópolis (SP), na tarde desta segunda-feira (21). A jovem foi morta com 16 facadas na madrugada de sábado (19), em Conchal (SP). O corpo dela foi enterrado por volta das 15h, no Cemitério Municipal de Jardinópolis, cidade onde o pai dela mora.

O suspeito, Emilson Rodrigues de Jesus, com quem ela mantinha um relacionamento há um mês, foi preso em Minas Gerais.

Parentes, amigos e colegas de trabalho se despediram da jovem com orações. Muito abalada, a mãe, que mora na França e chegou ao Brasil neste domingo (20), precisou ser amparada por familiares.

O pai de Nelly, José Eduardo de Souza Maria, diz que o sentimento neste momento é de revolta e que não entende a violência da qual a filha foi vítima.

“Sentimento de revolta, de muita crueldade. A gente não entende essa crueldade, não é algo que a gente entenda como atitude de um ser humano, mas de um animal. Uma pessoa que não tem noção do que é família ou o que são pessoas próximas”, afirma.

Durante o velório, ele lembrou a boa relação que mantinha com a jovem. Souza Maria diz que Nelly não chegou a falar sobre o novo namorado, mas que a mãe tinha conhecimento do relacionamento recente.

Irmã da vítima, Graziellla Cristina Rodrigues Maria, que mora em Bragança Paulista (SP), diz que a jovem era reservada. “É inacreditável. Ela era uma pessoa muito independente, muito vivida, não era ingênua. Saber que foi morta dessa maneira, ninguém consegue acreditar. Ela batalhava e era contra qualquer tipo de violência. A gente não consegue entender como a pessoa pode ser tão cruel”, afirma Graziella.

Suspeitas sobre o crime

O suspeito, Emilson Rodrigues de Jesus, foi preso pela polícia na casa dos pais, em Malacacheta (MG). O carro da vítima estava com ele e foi apreendido. Segundo a polícia, ele se manteve em silêncio no momento da prisão. Parentes acreditam que o crime possa ter sido motivado por dinheiro.

“Acho que ele queria dinheiro e ela não quis dar. Tivemos a informação que ele estava envolvido com drogas”, disse o cunhado de Nelly, Eduardo Giovani Garcia de Freitas.

Na casa do suspeito em Conchal, os guardas municipais encontraram 64 pinos de cocaína. Uma faca com marcas de sangue também foi apreendida.

Suspeito do crime em Conchal (SP) foi preso pela PM em Malacacheta (MG) (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

O cunhado da vítima disse que ela estava em um relacionamento com Jesus há um mês. Eduardo afirmou que foi ao apartamento da obstetriz, onde ela foi achada morta, e encontrou peças de roupas do suspeito no local.

“Tinha algumas roupas dele no varal, dois salgados sobre a mesa, duas latinhas de cerveja, o relacionamento estava bem no começo. Ela estava muito sozinha, longe da família, ele morando em frente, acabaram se envolvendo”, disse. A família, no entanto, não conhecia o rapaz. As informações são do G1.