Intercâmbio – Uma (muito) breve história

 

por Ivan Eduardo Tagliaferro*

Muito embora o intercâmbio cultural esteja na moda e pareça algo relativamente novo, ele existe desde que o homem se deu conta de que sua comunidade não era a única. A partir deste momento, começa a troca de saberes, de experiências e de conhecimentos. A palavra intercâmbio, inclusive, significa exatamente isso: troca, permuta.

Na Roma antiga, era comum jovens irem a Grécia para aprofundar seus estudos. Os principais centros eram Atenas, Rodes, Pérgamo e Alexandria. Cícero, César (o Imperador) e Horácio foram alguns dos que fizeram intercâmbio e, ao voltarem para Roma, contribuíram para o desenvolvimento do império.

Por volta dos séculos XII e XIII, começam aparecer na Europa grupos de pessoas de diferentes partes do mundo reunindo o melhor do conhecimento produzido na época. É o início das universidades. Alguns lugares se tornaram referência mundial, como Paris na Teologia, Orléans e Bolonha no Direito e Salermo na medicina. A fundação das universidades e, mais tarde, a Renascença foram um grande estímulo para os intercambistas. Os jovens da época ansiavam poder passar seus dias em intercâmbios e isso criou um novo conceito de educação. Isso ficou registrados nas palavras de Montaigne, antes de 1600: “Esses programas de estudos habilitam nossos jovens para muitas coisas, eles são capazes de aprender coisas novas sobre os outros povos e trazê-las de volta para nós ao mesmo tempo que diminuirá nosso medo e receio aos estrangeiros.” Em 1754, o diplomata suíço Emerich de Vattel encorajou os professores a fazer intercâmbios, argumentando que a responsabilidade pela paz e segurança das nações estava na mão daqueles que experimentassem vivências internacionais e mudassem sua forma de pensar.

Durante as guerras, especialmente na Primeira Guerra Mundial, soldados de países aliados perceberam como era importante conhecer outras culturas para que a paz pudesse acontecer. E essa é a base do intercâmbio cultural. Os primeiros intercambistas pós-guerra mudaram o conceito de “viagens de estudo” para “viagens de estudo e aprendizado de convivência pacífica entre povos”. O intercâmbio tinha como objetivo a criação de um clima de compreensão mútua e entendimento internacionais. No documento da Unesco, chamado Study Abroad, de 1955, há a seguinte citação: “O objetivo desses programas de intercâmbio já não é mais o desenvolvimento da ciência ou do aluno, ainda que isso aconteça como consequência natural, mas principalmente desenvolver compreensão e colaboração entre os povos”.

A história prossegue e muitos detalhes poderiam ser adicionados, porém, o importante é o fato de que o intercâmbio cultural ainda tem na sua essência a conquista da paz por se entender o próximo. Quem faz intercâmbio, melhora muito mais que seu idioma ou seu currículo... melhora sua personalidade, seus conceitos... sua vida.

Neste espaço vamos discutir um pouco sobre intercâmbios e também sobre cultura internacional, viagens em geral e muitas dicas e sugestões para quem pensa em embarcar.

* o autor é diretor da English Experience Intercâmbios, com sede na Rua Maranhão, 61, Mogi Mirim/SP – Filiais: Rua Álvaro Ribeiro, 420, Conchal/SP e Rua Apolinário, 161, Mogi Guaçu/SP / e-mail: ivan@eeintercambios.com.br