Mesmo com cheia, desova de peixes no Rio Mogi fica abaixo do esperado

Na terça-feira chegou ao fim os 4 meses de proibição da pesca na piracema. Estiagem entre 2013 e 2014 castigou o rio na região.
Durante a piracema, peixes sobem o rio para se reproduzir (Foto: Ely Venâncio/EPTV)

Depois de 4 meses, chegou ao fim na terça-feira (28) a proibição da pesca durante a piracema, período de reprodução dos peixes, no Rio Mogi Guaçu. Apesar do bom nível do rio, a desova ainda está abaixo do esperado por causa da seca de anos anteriores. Segundo a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), a estiagem que ocorreu entre 2013 e 2014 influenciou na quantidade de peixes que sobem o rio.

Tanto a pesca esportiva quanto a profissional está liberada no distrito de Cachoeira de Emas. “A maior parte dos peixes já se reproduziu dentro desse período de defeso”, disse o pesquisador da Apta Fábio Sussel.

Berçário de água doce

O Rio Mogi Guaçu é um dos maiores berçários de água doce do país. Mais de 150 espécies nadam todos os anos rio acima para chegar até um ponto no distrito e encontrar um parceiro. Isso se as condições ambientais permitirem. O rio cheio não é uma garantia de que a piracema foi boa este ano.

Segundo os especialistas, para se reproduzir agora um peixe deveria ter nascido em media há uns dois anos. Mas naquela época o cenário assustador era de seca. “A estação chuvosa de 2016 e 2017 foi perfeita. Choveu a quantidade que deveria e no momento certo, porém faltou matrizes para se reproduzir no rio. Matrizes essas que deveriam ter nascido naquela seca de 2013 e 2014 que não nasceram”, disse Sussel.

Pesca está liberada no Rio Mogi Guaçu a partir desta quarta-feira (1º) (Foto: Ely Venâncio/EPTV)Pesca
Quem não gostou muito da notícia são os pescadores, que voltaram à ativa na quarta-feira (1º), mas sem muita expectativa. “A desova essa ano foi muito fraca”, disse o pescador Celso Porto. Mas antes de pensar na pesca, o importante é torcer pra que os peixes voltem.

Segundo o pesquisador da Apta, a expectativa é que a partir do ano que vem os poucos peixes que nasceram depois da seca já estejam aptos a se reproduzirem. “Para vermos aquela fartura de peixes, é provável que nos próximos dois, três anos já tenhamos grandes quantidades de peixes novamente aqui em Cachoeira de Emas”, disse Sussel. Com informações do G1.