OPINIÃO: A realidade das escolas

 

Por Luiz Augusto Rossi*

Estamos sempre perguntando: - Por que os alunos não tem prazer em ir para a escola?

Com o crescente avanço da tecnologia da informação, as escolas estão vivendo em 1.800 e não no século XXI.  Livros e apostilas estão em muito superados. Não há nada que cative ou incentive o aluno para abrir aquilo. Está tudo parado, sem vida. Fotos que foram tiradas de coisas que não agregam nada aos que estão vendo.

Estamos em um mundo que as coisas são muito rápidas e com um potencial de imagens fascinante. Um mundo onde tudo tem movimento. O milagre da fotografia, já não mais agrada a muitos. Todos querem ver o funcionamento de tudo. Explicar como o aço é feito através de uma foto é a mesma coisa que explicar para alguém o gosto de uma determinada comida. Imaginamos algo que na verdade não tem nada a ver com a realidade.

Não podemos exigir que eles prestem atenção em uma coisa que não chama a atenção. Não temos como ensinar sobre uma matéria que não tem vida. Estamos ainda vivendo no tempo dos “Escribas”, onde um fala e o outro escreve.

Estamos vivendo um mundo escolar que nada mais é do que depósito de almas que precisam aprender, porém, da maneira certa.

Os professores antigos somente tinham a tecnologia da voz, depois a tecnologia dos livros e é o que ainda temos hoje no século XXI.

Cursos de capacitação para professores que usam livros riscados e quadro de cimento?

Escolas sem atrativo com paredes, cortinas e sinal de entrada e saída?

Bibliotecas com mobiliário e livros que já não mais encantam?

Repensar o que estamos fazendo em sala de aulas é o que somos cobrados todos os dias em ATPCs e reuniões com dirigentes e supervisores, só que temos que pensar o que a sala de aulas faz para que o professor transforme sua matéria em algo atrativo.

Como cobrar do aluno um crescimento se o material usado é do tempo da lamparina?

Vamos então voltar no tempo e ensinar o alfabeto e a tabuada e pronto. Vamos forçar o aluno a usar o ábaco e escrever com carvão. 

Os grandes professores, companheiros de trabalho e heróis são muito capacitados para as matérias a eles atribuídas, porém, ele se vira nos trinta para fazer o caminhão que usa sistemas eletrônicos funcionarem usando manivela. Fazer uma máquina computadorizada, funcionar à lenha. Os responsáveis pela educação nos deram o material e não forneceram a energia elétrica.

Os alunos querem ver o vulcão em erupção, as águas correndo, os seres microscópicos em pleno crescimento. Conhecer música através dos interpretes e não só a letra. Conhecer a usina hidrelétrica em sua plena atividade. Ter aulas de química que realmente aconteça uma reação e não viver de tabela periódica.

Aprender os princípios matemáticos e físicos vendo como isso é grande e quais as transformações que esta ciência proporciona. Aprender história vendo o envelhecimento dos países, cidades e pessoas, fazendo parte dela. Envolvimento com jogos eletrônicos, adaptados para a realidade dos alunos e não jogos com pedrinhas velhas. Cadernos eram uma ferramenta de armazenamento, atualmente são os tablets, notebooks e pendrivers.

Sem os recursos modernos a “Escola” vai continuar forçando os professores a preencher tabelas e gráficos inúteis com habilidades e competências não atingidas pelos seus educandos, tentando encontrar em meio a PAPIROS o que está errado no aprendizado dos seus.   

A culpa é do aluno?

* O autor é sociólogo e professor, escreve para o Conchal em Notícias e para diversos portais da região.