Pedalando 325 Km pelo Caminho da Fé

 
Em Aparecida/SP, assistimos a Missa com a satisfação de ter atingido o objetivo.

Alguns já ouviram falar, outros não fazem ideia do que se trata: aventura ou peregrinação? Cada qual com seus objetivos e propósitos, percorrendo aproximadamente 325 quilômetros para alcançar a meta final que é chegar a Aparecida/SP, sempre percorrendo estradas de terra, subindo e descendo montanhas, a pé, de bike, em lombos de cavalos, motos, em romaria, pequenos grupos e até mesmo sozinho.

No final de outubro de 2012, fui convidado para ''fazer'' o Caminho da Fé, como apoio a um grupo de ‘’ciclistas’’ aqui de Conchal/SP, que pela sétima vez fariam o percurso: Marcos Gato Bill, Thiago Fadel, Picolé, Neto, Adriano, Kleber, Neimir, Maurilio, Gil e Fernando.

Apesar de já ter ouvido falar muito a respeito, não tinha a mínima noção do que seria isto, mas com o espírito de aventura e curiosidade, aceitei o convite e, numa terça-feira à noite, partimos de Conchal/SP rumo a Águas da Prata/SP, onde pernoitamos na Pousada do Peregrino.

No outro dia bem cedo, iniciamos nossa ‘’viagem’’, sabendo que teríamos que percorrer um longo caminho. Passando ao lado do Pico do Gavião seguimos para Andradas/MG.

Percorrendo sempre  por estradas de terra, logo nos deparamos com um dos primeiros trechos que realmente exigia muito dos ''ciclistas''... a Serra dos Lima, alguns quilômetros de aclive muito acentuado, logo chegaríamos à Barra, onde fizemos nosso primeiro almoço, em uma pousada.

Continuando nosso caminho, passamos por Crisólia/MG, sempre envolto por belas paisagens, montanhas e quedas d'águas, tendo que passar às vezes por dentro de pequenos riachos, passando por pequenas cidades e povoados do sul de Minas Gerais, praticamente ''cortamos'' a Serra da Mantiqueira. Notamos a simplicidade e a boa vontade de um povo acolhedor, sempre pronto a ajudar, retratando muito bem a música de Paula Fernandes. . .  “Seio de Minas”.

Já era tarde quando passamos por Ouro Fino/MG, chegamos a Inconfidentes/MG, onde pernoitamos.

No dia seguinte, após o café da manhã, seguimos bem cedo, ''cortando'' sítios e fazendas, passamos por Borda da Mata/MG, Tocos do Mogi/MG, percorremos uma região onde notamos  grandes plantações de morango pelas encostas das montanhas em Estiva/MG, cruzamos a rodovia Fernão Dias (BR-381) e continuamos até Consolação/MG, lugar que pernoitamos. Uma curiosidade nesta pequena cidade mineira é que a prefeitura ‘’fecha’’ o abastecimento de água às 21 horas e reabre às 06 horas da manhã.

Partimos para Paraisópolis/MG e dai para o Distrito de Luminosa que fica no sopé das montanhas da Serra da Luminosa. Logo após o almoço os ciclistas enfrentaram quase 4 horas de subida pela Serra da Luminosa, com uma pequena garoa e com temperaturas muito baixas. Eu com a pick-up saveiro de apoio preferi não arriscar a subida por ser muito íngreme e perigosa, contornei a montanha e aguardei-os no alto da serra, até que os últimos ciclistas chegassem e pegassem uma carona, pois pelo desgaste da subida, com chuva e frio, precisavam rapidamente de um banho quente. E seguindo, por mais alguns quilômetros, chegamos a Campista/SP, na pousada do Barão Montes, um lugar simples acolhedor no meio da montanha, típico de Campos de Jordão, haja vista que estávamos a 20 quilômetros de Campos de Jordão/SP.

No outro dia, em meio a nevoa que encobria todo o vale, passamos por Campos de Jordão/SP, deixando para trás as estradas de terra pois deste ponto em diante só teríamos asfalto,  agora mais tranquilos, descendo de Campos rumo a Pindamonhangaba/SP, onde almoçamos e seguimos para os últimos quilômetros de nossa empreitada, passando por Roseira/SP, à tarde finalmente estávamos em Aparecida/SP, assistimos a Missa com a satisfação de ter atingido o objetivo.

No final da noite, preparamos os carros que foram buscar os ciclistas e retornamos a Conchal/SP.

Por Giacomo Fadel