Viagem e Educação

 

por Ivan Eduardo Tagliaferro*

Como diz o grande professor Cortella não se deve confundir educação com escolaridade. Escolaridade é uma parte da educação onde profissionais, chamados professores, nos auxiliam. Educação é mais abrangente. Envolve tudo o que nos molda, nos orienta, nos conduz em nossa trajetória de vida. O próprio radical da palavra “educação”, docere, significa “conduzir”, daí as palavras “viaduto”, “oleoduto”, “gasoduto”.

Entre as coisas que conduzem o indivíduo, que o orienta, que o educa as viagens são parte fundamental. É dito que dentre todos os livros do mundo, as melhores histórias se encontram entre as páginas de um passaporte. E é verdade!

Embora a escolaridade seja essencial para o ser humano, existem lacunas importantes que anos na escola parecem não preencher e, aparentemente, essa situação tem se agravado. Isso porque existe uma inversão na ordem das coisas. As famílias parecem estar delegando aos professores a função da educação de seus filhos. A responsabilidade por isso é dos pais e os professores podem contribuir, é claro, principalmente com a escolaridade. Valores outrora ensinados no seio da família como a honestidade, respeito pela autoridade, tolerância, para se citar apenas alguns, não raro, ficam a cargo da escola. O resultado? Mesmo aqueles que se formam e vão ao mercado de trabalho com vasto conhecimento acadêmico, embora sejam bons profissionais, não necessariamente são boas pessoas. A escola não nos ensina a ser pessoas melhores, embora tente, não é sua função.

O que tudo isso tem a ver com viajar? A viagem, e principalmente o intercâmbio, tem condições de complementar a educação, bem como a escolaridade, preenchendo assim algumas das lacunas de sua formação. Citando algumas das coisas que uma viagem dá conta:

Aprendemos a ser mais tolerante a outras culturas e religiões.

Entendemos que não somos o centro do universo, que “Deus NÂO é brasileiro”, que nosso jeito de pensar não é único, que não somos melhores nem piores que ninguém. Aprendemos ser humildes.

Temos a oportunidade de sentir falta de coisas que normalmente consideramos triviais: nossa comida, nossa água, nossa família, nossos amigos.

Passamos a não nos importar por pequenas coisas do dia a dia. Respeitamos mais a escolha de outros sobre roupas e estilos. Passamos a nos importar menos com a vida alheia.

Temos a oportunidade de lidar com nossos medos e vencê-los.

Temos a chance única de conhecer melhor a nós mesmos.

Aprendemos que bens materiais não são as coisas mais importantes da vida.

Ainda por cima aprendemos um idioma novo.

Pode-se afirmar que, uma pessoa que passa por essa experiência, nunca mais será a mesma.

Por isso, não deixe de incluir viagens na sua educação e na de seus filhos. Quem viaja, está mais preparado para enfrentar as dificuldades e turbulências nas empresas, nas comunidades e tem a obrigação moral de contribuir para um mundo melhor.

* o autor é diretor da English Experience Intercâmbios, com sede na Rua Maranhão, 61, Mogi Mirim/SP – Filiais: Rua Álvaro Ribeiro, 420, Conchal/SP e Rua Apolinário, 161, Mogi Guaçu/SP / e-mail: ivan@eeintercambios.com.br